segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Polêmica: cotas para negros em concursos públicos

Polêmica: cotas para negros em concursos públicos


O Deputado Estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), ingressou com ação no Tribunal de Justiça do Rio contra o decreto – que estipula 20% das vagas de órgãos do Poder Executivo e administração pública para negros e indígenas -, assinado pelo governador Sérgio Cabral, no começo de junho deste ano.
O decreto, segundo o governador, não exime negros e índios da seleção. Os cotistas precisam obter a nota estipulada para conseguir a vaga, caso contrário ela será transferida aos não cotistas. Cabral disse que essa iniciativa vai ser transformadora. “A paisagem do serviço público brasileiro vai começar a mudar a partir do estado do Rio de Janeiro. Queiramos um dia que essa política não seja necessária, mas ela é necessária para gerar mais oportunidades. Só dessa maneira nós vamos gerar um país desenvolvido”, afirmou.
O que vocês acham da cota para negros e indígenas em concursos públicos?

Fonte: http://www.r2concursosblog.com.br/polemica-cotas-para-negros-em-concursos-publicos/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Professor do CES/JF organiza evento e lança livro em Portugal.

Colóquio

OS EXTREMISMOS POLÍTICOS DE DIREITA: ENTRE A TRADIÇÃO E A RENOVAÇÃO

29 e 30 de Setembro de 2011
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – ICS-UL
Sala 3

Organizadores:

Riccardo Marchi (ICS/UL)
Fábio Chang de Almeida (UFRGS/ICS-UL)
Leandro Pereira Gonçalves (PUC-SP/ICS-UL)

29 DE SETEMBRO

9h30 - ABERTURA António Costa Pinto (ICS-UL)
SEÇÃO 1 Extrema-direita: Europa-América [9h45 12h00]
Coordenação: Fábio Chang de Almeida (UFRGS / ICS-UL)
9h45 – Gilberto Grassi Calil (UNIOESTE / FLUP)
Plínio Salgado e a reinterpretação da doutrina integralista no contexto da derrota nazi-fascista
10h15 – Odilon Caldeira Neto (UEM) (via Skype)
Neointegralismo, direita brasileira pós 1988 e a questão partidária
10h45 – Intervalo
11h00 – Pietro Tessadori (ICS-UL)
África nos regimes fascista italiano e autoritário português
11h30 – Discussão
12h00 – Encerramento
12h00 – 14h00 – Almoço
SEÇÃO 2 Os integralismos em Portugal e no Brasil [14h00 16h15]
Coordenação: Riccardo Marchi (ICS-UL)
14h00 – Paulo Archer (CEIS20-UC)
Integralismo Lusitano: tradição, conservantismo, antirrepublicanismo
14h30 – Nuno Simão Ferreira (FLUL)
O protagonismo de Alberto de Monsaraz na história do Integralismo Lusitano
15h00 – Coffee Break
15h15 – Leandro Pereira Gonçalves (PUC-SP / ICS-UL)
Os integralismos como uma forma de conhecimento da relação luso-brasileira no ambiente do
conservadorismo
15h45 – Discussão
16h15 – Coffee Break
LANÇAMENTO DE LIVRO [16h30 17h00]
GONÇALVES, Leandro Pereira; SIMÕES, Renata Duarte (orgs.). Entre tipos e recortes:
histórias da imprensa integralista. Guaíba-RS-Brasil: Sob Medida, 2011.
Debate e apresentação: Leandro Pereira Gonçalves, Giselda Brito Silva e Gilberto Grassi
Calil

30 DE SETEMBRO

SEÇÃO 3 – A “nova” extrema-direita [9h00 10h30]
Coordenação: Leandro Pereira Gonçalves (PUC-SP / ICS-UL)
9h00 – Riccardo Marchi (ICS-UL)
A direita radical portuguesa na transição para a democracia
9h20 – Fábio Chang de Almeida (UFRGS / ICS-UL)
A “nova” extrema-direita em Portugal e na Argentina
9h40 José Pedro Zúquete (ICS-UL)
Novos tempos, novos ventos: a extrema-direita europeia e o Islão
10h00 – Discussão
10h30 – Coffee Break

CONFERÊNCIA

[11h00 – 12h30]
Martin Conway (University of Oxford Faculty of History)
Catolicismo e corporativismo na Europa dos anos 30
12h30 – 14h30 – Almoço
SEÇÃO 4 Catolicismo e Autoritarismo [14h30 17h15]
Coordenação: Goffredo Adinolfi (ISCTE-IUL)
14h30 – Duncan Simpson (King’s College London)
O catolicismo português e o autoritarismo salazarista
15h00 – Maria Inácia Rezola (IHC-UNL)
Estado e Igreja nas origens do Salazarismo
15h30 – Intervalo
15h45 Giselda Brito Silva (UFRPE / ICS-UL)
A Cruzada Anticomunista: a juventude católica e o nacionalismo radical no Estado Novo de
Salazar
16h15 Enrique Serra Padrós (UFRGS) (Via Skype)
A Igreja Católica e os Regimes Autoritários na América Latina
16h45 – Discussão
17h15 – Encerramento
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

XV Bienal do Livro Rio bate recorde de público e atrai 200 mil pessoas nos quatro primeiros dias

Fonte: Fagga | GL exhibitions

Palestras de Luiz Eduardo Soares, Zuenir Ventura e Lisa Sanders, consultora da série de TV House, encerram o primeiro fim de semana da festa literária.

Maior evento literário do país, a XV Bienal do Livro Rio estabeleceu novo recorde de público para seus quatro primeiros dias: de quinta a domingo, 200 mil pessoas passaram pelos pavilhões e corredores do Riocentro, dispostas a participar da festa cultural e assistir a palestras que mostram toda a diversidade da produção literária brasileira. No primeiro fim de semana, o programa de encontros entre leitores e autores foi encerrado com um debate entre o cientista político Luiz Eduardo Soares e o jornalista Zuenir Ventura, com mediação da jornalista Marília Martins, no Café Literário. Em uma sessão bastante concorrida, a dupla abordou temas recorrentes em suas principais obras - no caso, Cidade partida (Companhia das Letras), de Zuenir, e Elite da Tropa 1 e 2 (Nova Fronteira), de Soares.
Reunidos para falar sobre o tema "O Brasil pode ser mais legal?", os dois tiveram uma resposta positiva. Para Luiz Eduardo, "quando acreditamos que as mudanças podem acontecer, nos preparamos para elas e contribuímos para que de fato aconteçam". Zuenir também se considera um otimista. "Está escrito no meu DNA: careca e otimista", brincou. "O otimismo leva à ação; o „não adianta‟, para mim, é terrível". Na opinião do autor, todas as mazelas podem ser resolvidas por vontade política, exatamente o que falta no caso do Brasil. Como não poderia deixar de ser, a implantação das UPPs foi um dos temas centrais do debate. Os dois concordam que a implantação da política nas comunidades do estado do Rio de Janeiro foi uma mudança forte e positiva em relação às missões policiais pontuais anteriores, baseadas no confronto, mas ainda há muito a ser feito.

A noite de domingo na Bienal também reservou um encontro com a médica e escritora Lisa Sanders, autora do livro Todo paciente tem uma história para contar (Zahar) e consultora de House, a badalada série de TV. Sanders conversou com o médico, psicanalista e escritor Francisco Daudt, na mesa-redonda "Do sintoma ao drama", mediada pelo escritor Felipe Pena. Os dois falaram sobre a relação entre médico e paciente. "Os dois precisam ser parceiros e trabalhar juntos na busca pelo diagnóstico correto. Eles têm que pensar juntos sobre o que está acontecendo", disse Sanders. Já Daudt defendeu uma linguagem mais acessível para médicos e psicanalistas. "É um grande defeito da nossa profissão: falamos coisas que as pessoas, às vezes, não entendem".
Sanders não se furtou a falar sobre House, enorme sucesso da televisão: "Eu me divirto fazendo a série. Os autores dizem o que o personagem tem em mente e preciso criar uma doença terrível para ele. Essas doenças sempre causam seis coisas terríveis aos pacientes ao longo do episódio. Minha missão é imaginar o que House e os médicos podem achar que ele tem, inclusive um diagnóstico que possa levar o personagem à morte", contou Lisa.

O público do Café Literário assistiu ainda a um bate-papo sobre as relações entre homens e mulheres entre a psicóloga brasileira Malvine Zalcberg e a autora americana Kim Edwards. Depois de pôr em questão as personagens femininas de suas obras, Zalcberg, autora de
A relação mãe e filha (Campus), e Edwards, que escreveu Lago dos Sonhos (Arqueiro), debateram a psicanálise e falaram sobre a diferença na postura e no comportamento entre homens e mulheres.
Contudo, a XV Bienal do Livro Rio mostrou que nem apenas de relacionamentos entre homens e mulheres vive a literatura feminina no espaço Mulher e Ponto. A jornalista Maria Dolores e a microbiologista Natascha Müller fizeram um debate descontraído sobre o mercado de livros voltado para as mamães. A conversa tocou em temas delicados de forma leve, sem tabus, como a gravidez na adolescência e as dificuldades vividas pelos pais de primeira viagem no momento em que nasce o tão esperado bebê. Logo em seguida, o tema foi as cirurgias plásticas e suas referências na literatura, discutido pelos médicos Charles Sá e Natalie Gontijo Amorim e a doutora Roseli Siqueira. Sá procurou questionar se é realmente necessário realizar cirurgias plásticas apenas para melhorar a aparência.

Na sessão que tem como objetivo difundir clássicos da literatura brasileira, através da leitura de trechos célebres das grandes obras nacionais, o Livro em Cena homenageou neste domingo José Lins do Rego e Lima Barreto. O primeiro teve trechos do romance Fogo Morto interpretados pelo ator Ricardo Blat. A obra, que fala sobre o declínio do ciclo da cana e, por consequência, dos senhores de engenho e do Nordeste mercantil, é considerada a obra-prima do autor. Durante a leitura, o ator deu um show de interpretação: carregando no sotaque, criou para cada um deles uma voz e uma postura corporal diferente. No fim da sessão, Ricardo beijou sua própria mão e levou o beijo ao rosto de José Lins do Rego, projetado em uma tela no palco.

Depois, José Wilker subiu ao palco para ler um trecho de Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. "Quando fui convidado para realizar esta leitura, pensei em estudar, mas decidi que iria me surpreender com ela, assim como vocês. Esta é a primeira vez que leio o Policarpo em anos", explicou Wilker. A precisão, a riqueza de detalhes e a linguagem crítica, satírica e poética de Lima Barreto impressionaram o ator, que, ao final da leitura, abriu um largo sorriso e disse simplesmente: "Genial".

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Professor do CES/JF participa de congresso internacional na Espanha.






O professor do curso de História do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), Leandro Pereira Gonçalves, que está em Portugal desenvolvendo pesquisas para seu doutorado, participará, do dia 06 ao dia 09 de setembro, na cidade de San Fermando (Cádiz), na Espanha, do "XVI Congresso Internacional de AHILA" (Associación de Historiadores Latinoamericanistas Europeos).
No evento, o professor apresentará um trabalho intitulado "Uma relação conservadora luso-brasileira: o nacionalismo e a revolução espiritual de Plínio Salgado", que é resultado das pesquisas que desenvolve em Portugal.
Com doutorado em desenvolvimento na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Leandro tem como objetivo a identificação das matrizes discursivas do líder da Ação Integralista Brasileira, o escritor e político, Plínio Salgado.
O pensamento central do chefe integralista teve como base a criação de uma concepção de nacionalismo com o objetivo de atingir a construção de uma identidade nacional. Verifica-se uma intensa relação da ideologia do movimento com determinados aspectos da cultura política portuguesa, uma vez que parte da inspiração que Plínio Salgado buscou é oriundo da cultura e política lusitana. O líder integralista foi exilado em Portugal após o golpe do Estado Novo promovido por Getúlio Vargas, onde teve vários contatos políticos e escreveu inúmeras obras, dedicando-se a temas religiosos, filosóficos e sociológicos. Esse período é de grande importância para os estudos do Professor Leandro, já que está investigando como foi o exílio de Plínio Salgado em Portugal.
Desde janeiro de 2011 no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), o Professor desenvolve pesquisas arquivísticas e documentais em Portugal para o desenvolvimento da tese de doutorado.
O levantamento dos documentos sobre as relações de Plínio Salgado em Portugal será concluído pelo Professor Leandro Pereira Gonçalves até o fim do ano, para que possa retornar no início de 2012 para o curso de História do CES/JF.
Mais informações sobre o XVI Congresso Internacional de AHILA - http://www.congresoahila2011.com/

REDIRECIONANDO A VAIA – UMA NOITE EM 67


Por Cláudio Kaz

Como muitos projetos, inclusive em nossa vida, às vezes não pensamos nas devidas proporções que algo poderá alcançar. Os festivais que aconteceram no Brasil nos anos 60 eram apenas para “acontecer”.  Apenas para cobrir a grade de programação das emissoras. Palavras de Solano Ribeiro. Idealizador dos festivais. Como as primeiras edições foram um sucesso, as outras resolveram também copiar a idéia e fazer também. E, segundo Paulinho Machado de Carvalho, grande nome da TV brasileira e diretor de alguns festivais, tudo começou com um ato que, hoje é comum para nós, porém na época não era. Nos estádios de futebol se filmava apenas o campo. Depois se teve a brilhante idéia de se mostrar os torcedores e conseqüentemente a tribuna de honra dos estádios. Eis quem estava lá com “uma senhora, que não era sua senhora”, o presidente da Federação Paulista de Futebol. Num acesso de fúria pela saia justa em que foi colocado, mandou cancelar a transmissão dos jogos do campeonato paulista. Com isso, ficou-se uma brecha na grade das emissoras.
                Logicamente, entre vários festivais que aconteceram, um se destacou plenamente por diversos motivos. Motivos estes que vão do político ao cultural. Uma noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, é um ótimo documentário sobre um festival que marcou a música popular brasileira e também a vida política do brasileiro. O filme fala sobre o III Festival de Música Popular Brasileira na TV Record em 1967.
                O festival de 67 também foi feito para cobrir grade, assim como as outras edições e outros festivais de emissoras diferentes. Porém esse tornou uma dimensão maior com o passar dos anos. Surgimento do Tropicalismo, ascensão de Chico Buarque, presença de Roberto Carlos (considerado um artista “menor” por fazer jovem guarda) e a famosa cena em que Sérgio Ricardo, irritadíssimo com as vaias, quebra o violão e o atira na platéia.
                O festival aconteceu num momento em que a situação não era nada animadora. Com a posse de Costa e Silva e a constituição de 67, os militaram queriam tornar lei várias medidas dos atos institucionais até aquele momento. O movimento estudantil fervia por trás de tudo. E era exatamente esse público que era maioria nos festivais. O diretor fazia com que os festivais fossem, segundo suas palavras, luta livre. Ou um bang-bang, onde se tinha, o herói, a heroína, o vilão, etc. estimulando cada vez mais o publico, que por vezes vaiava em fúria!
                A vaia foi “institucionalizada. Era tão comum (ou podemos dizer necessário?) vaiar, que existia uma torcedora que se vestia de “vaia”!? Em sua roupa tinha um “U” escrito. E os próprios produtores do festival que estimularam esse comportamento. Zuza Homem de Melo, na época trabalhando como responsável pelo som, em uma conversa com o engenheiro do programa pediu permissão para se implantar microfones no teto do Teatro para que o público em casa senti-se a vibração do evento.
                Numa época em que não se podia extravasar suas idéias, nada melhor que vaiar músicas que não diziam, pelo menos subjetivamente, aquilo que todos queriam ouvir. Muitos dizem que isso era inconsciente. Como se o público direcionasse a sua raiva reprimida e as descontasse no evento. Por exemplo, uma torcida organizada foi ao teatro única e exclusivamente para vaiar Roberto Carlos. Havia uma distinção entre MPB e música jovem. E os dois não se batiam. A Jovem Guarda era, segundo o pessoal da MPB, o imperialismo norte americano. Tinha-se a necessidade resgatar o íntimo da cultura brasileira. Com isso, com tantos motivos para se protestar, fizeram um protesto contra a guitarra elétrica. Símbolo maior do tal imperialismo. Interessante frisar no depoimento de Caetano Veloso que ele ficou com Nara Leão da sacada do Hotel Danúbio em São Paulo, olhando bestificado toda aquela bobagem, enquanto Gilberto Gil (também fundador do Tropicalismo) carregava faixa lá em baixo com outros artistas. O próprio Tropicalismo era essa fusão entre regionalismos brasileiros e rock and roll mundial. Ou nas palavras atuais de Gil: “era Luiz Gonzaga com Beatles.” Porém, na época, para ele fazia sentido se protestar contra isso. Por exemplo, para o jornalista Chico de Assis, a guitarra elétrica trazia “lixo musical” para o Brasil. As gravadoras internacionais estavam loucas para desembarcar seus artistas de segunda linha no mercado fonográfico brasileiro. E segundo Chico, não era Led Zepelin nem Frank Zappa. Esses sim tinham qualidade para vender no mundo inteiro. Era material ruim, que por motivos comerciais talvez atrapalhasse o desenvolvimento da produção musical brasileira.
                Para Caetano, implantar a guitarra elétrica tornou-se uma decisão política. A liberdade de expressão musical. Até as roupas eram forma de protesto. Com as reuniões do Tropicalismo na mesma época, as apresentações dos Mutantes com Gilberto Gil defendo Domingo no Parque foi um marco na música. Assim como os Beach Boys (conjunto argentino de rock and roll) juntamente com Caetano Veloso defendendo Alegria, Alegria. Suas roupas extravagantes e coloridas já chocavam de antemão. E faziam com que Chico Buarque e Edu Lobo, que se apresentavam de smoking, ficassem mais “velhos”. Apesar de seus 20 e poucos anos.
                O festival teve a seguinte classificação:
1.       Ponteio (Edu Lobo – Capinan), defendido por Edu Lobo e Maria Medalha.
2.       Domingo no Parque (Gilberto Gil), defendido por Gilberto Gil e Os Mutantes.
3.       Roda-Viva (Chico Buarque), defendida por Chico Buarque e MPB4.
4.       Alegria, Alegria (Caetano Veloso), defendida por Caetano Veloso e Beach Boys.
5.       Maria Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná), defendido por Roberto Carlos.
6.       Gabriela (Francisco Mourão), defendida por MPB4.
Após o festival, várias artistas se consagraram. Como sempre, apesar de todo o sentido “transcendental” que o festival representou para muitos, alguns artistas se assustaram com o comércio que se formou em cima de tudo. A partir daí, Edu Lobo, por exemplo, se refugiou na França, para diminuir o Frisson que se fez em cima de sua imagem. Não gostava da proporção em que tudo se tornava. Principalmente quando descobriu que pessoas apostavam dinheiro nas músicas. “Virei um cavalo de corrida”. Dizia Edu Lobo.
Os festivais continuaram acontecendo até meio dos anos 80, porém de 68 pra cá, as situação se apertou e de 70 em diante os festivais se tornaram aquilo que se esperava deles. Programa de televisão.




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SEMINÁRIO - ATUALIDADE DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA






Abertura dia 13/09 às 17h, IEB-USP

Mesas: de 14 a 16/9, das 9h às 12h e das 14h às 17h, no Auditório da Geografia/História FFLCH-USP. Não é necessário inscrição Contato: (11) 3091-1149 difusieb@usp.br


sábado, 27 de agosto de 2011

Passeio Socrático


Passeio Socrático

Por Frei Betto *


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:

- "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

- "Não foi à aula?"

Ela respondeu: - "Não, tenho aula à tarde". Comemorei:

- "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde".

- "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..."

- "Que tanta coisa?", perguntei.

- "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: - "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! - Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!"O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno.... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser 
feliz.

Fonte: http://www.verdestrigos.org/sitenovo/site/cronica_ver.asp?id=1601